terça-feira, 13 de outubro de 2009

Agendas Recriar 2010

Beleza e inspiração
Nosso dia tem sede do belo.
Recriar contribui para você ter a beleza ao alcance das mãos.
Em 2010, as fotografias da Agenda propõem outro olhar para cenas e cenários bem cotidianos, embelecidos pela ação do tempo e da gente…
A consciência da preservação do Planeta está presente no uso do papel reciclado e na impressão em processos gráficos com selo de qualidade ecológica. E a dinâmica da vida moderna traduz-se no funcional formato e organização de Recriar.
A inspiração de cada dia virá de pensamentos ao longo da Agenda. Estímulos para pensar particularmente o “espaço urbano” em que vivemos, a cidade, e nela “fazer a diferença”.
São propostos doze verbos, dando-lhes, a cada mês, novos significados e ações:
Conceber; Convidar; Compactuar; Constatar; Confrontar; Confortar; Compartilhar; Conjugar; Contemplar; Compreender; Consumar e Confluir.
Mas faltou um verbo, que permeia o ano todo: Comunicar.
E, assim, estreitar ainda mais a rede de fraternidade, que é, afinal, o maior desejo desta Agenda.
Enfim, um feliz 2010 com Recriar.

São três modelos

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

*Dia das Crianças


Ser Criança

"Ser criança é acreditar que tudo é possível.

É ser inesquecivelmente feliz com muito pouco

É se tornar gigante diante de gigantescos pequenos obstáculos

Ser criança é fazer amigos antes mesmo de saber o nome deles.

É conseguir perdoar muito mais fácil do que brigar.

Ser criança é ter o dia mais feliz da vida, todos os dias.

Ser criança é o que a gente nunca deveria deixar de ser."

Gilberto dos Reis

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

*Dia do Vendedor

A globalizacão trouxe para a vida atual, inúmeras opções para os consumidores. Os problemas internacionais atormentam as cabeças dos políticos, novas profissões aparecem todos os anos, novos cursos vão surgindo e a língua portuguesa tem passado por mudanças significativas. Vejam só a quantidade de palavras em inglês que a Internet introduziu e tantas outras que ainda virão. Vimos recentemente, em Seattle, que já existem muitas pessoas brigando com unhas e dentes contra este alinhamento mundial. Por outro lado, gente com muito poder e dinheiro trabalha para que a coisa se acomode e o mundo se globalize sem dono e danos. Estamos vendo também a majestosa evolução do marketing nas empresas, universidades, corporações e governos, responsável nos últimos anos pela transformação do pensamento empresarial. Mas a questão, ontem e hoje, é a mesma: onde estão os vendedores - o bom e velho vendedor - na era da globalização?

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Diário que conta tragédia com avião

Dizem que uma tragédia não acontece duas vezes com a mesma pessoa.
Mas quis o destino que a família Verdi, do interior de São Paulo, não tivesse essa sorte.
Foram dois acidentes de avião com quatro mortes.

O primeiro aconteceu em 1960. Em agosto daquele ano, um pequeno avião que transportava o marido e o irmão de dona Miltis fez um pouso forçado na Amazônia boliviana. Depois de quatro meses de buscas, o exército brasileiro encontrou o avião, intacto, e os dois corpos. O marido e o irmão dela morreram por falta de comida e de água, mas deixaram um impressionante diário em que narravam as agruras pelas quais passaram até morrer.

O segundo acidente ocorreu este ano. Todas as lembranças estão muito vivas na memória da família, que revive a tragédia. Ana Maria convidou, nesta quarta-feira, dona Miltis para dar um abraço nela!

O diário da morte: a tragédia do Cessna 140.

DIÁRIO DA MORTE

A emoção, o suspense, a revolta e também a sede e a fome que a leitura deste livro chega a provocar ou sugerir, decor­rem da narrativa de fatos e do próprio "diálogo com a morte" que o jovem Milton Terra Verdi mantém durante setenta dias no "deserto boliviano".

Dias e noites entrecortados de esperanças. Desta ou daquela certeza vã. Contra o sol, a solidão, o silêncio, a fria escuridão, qualquer nova tentativa — enquanto restam últimas energias — é logo cortada pela visão aterradora do cipoal espinhento, dos galhos que uns contra os outros se retor­cem, como se revoltados ante a presença de seres para ela estranhos. De vez em quando o ronco dum motor faz crescer a respiração do jovem. Mas, o silêncio de morte, o sol, o frio da noite, o desespero, a submissão à agressividade da selva. E somente a companhia dos próprios pensamentos.

Recomeça o diálogo com a morte.

Ao cumprirmos nossa missão de editores, não fazemos mais do que fixar um documento em toda a cruel pureza do fato consumado.

Mas, se o sensacionalismo provocado pela desdita destes dois jovens, Milton Terra Verdi e António Augusto Gonçalves é uma natural decorrência, pouco influindo na im­posição da tarefa, esta porém ganha conteúdo e dever quando se descobrem nas palavras escritas por Terra Verdi, novos significados, antes misteriosos e não reve­lados, verdadeira e insubstituível advertên­cia aos jovens das atuais gerações, expostas aos mais desumanos e desvirtuados apelos da má índole, alimentadora do espírito de vãs aventuras, da forte "emoção instintiva e a cujos desesperos seus fautores nem respondem, congelados na impunidade. Caro leitor, este livro é, a um tempo, tremendo libelo contra a insensibilidade humana!

EDIÇÕES AUTORES REUNIDOS agradece a colaboração dos familiares de Milton, de "Última Hora", de seus diretores, repórteres e colaboradores, os quais ao compreenderem a necessidade de transfor­mar o "Diário da morte" em livro, destacaram esta editora para o importante co­metimento, evitando que na crónica efémera

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O Corvo

Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais."

Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,
E que ninguém chamará jamais.

E o rumor triste, vago, brando,
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui no peito,
Levantei-me de pronto e: "Com efeito
(Disse) é visita amiga e retardada
Que bate a estas horas tais.
É visita que pede à minha porta entrada:
Há de ser isso e nada mais."

Minhalma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo e desta sorte
Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora -
Me desculpeis tanta demora.
Mas como eu, precisando de descanso,
Já cochilava, e tão de manso e manso
Batestes, não fui logo prestemente,
Certificar-me que aí estais."
Disse: a porta escancaro, acho a noite somente,
Somente a noite, e nada mais.

Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta:
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.

Entro co'a alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais tarde; eu, voltando-me a ela:
Seguramente, há na janela
Alguma coisa que sussurra. Abramos.
Ela, fora o temor, eia, vejamos
A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais.
Devolvamos a paz ao coração medroso.
Obra do vento e nada mais."

Abro a janela e, de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre Corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
De um lord ou de uma lady. E pronto e reto
Movendo no ar as suas negras alas.
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo - o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "Ó tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais:
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o Corvo disse: "Nunca mais."

Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que lhe eu fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Coisa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta,
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta e dizer em resposta
Que este é o seu nome: "Nunca mais."

No entanto, o Corvo solitário
Não teve outro vocabulário,
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda sua alma resumisse.
Nenhuma outra proferiu, nenhuma,
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora."
E o Corvo disse: "Nunca mais."

Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
Que ele trouxe da convivência
De algum mestre infeliz e acabrunhado
Que o implacável destino há castigado
Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
Esse estribilho: "Nunca mais."

Segunda vez, nesse momento,
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao Corvo magro e rudo;
E mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera
Achar procuro a lúgubre quimera.
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais."

Assim, posto, devaneando,
Meditando, conjecturando,
Não lhe falava mais; mas se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava,
Conjecturando fui, tranqüilo, a gosto,
Com a cabeça no macio encosto,
Onde os raios da lâmpada caiam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam,
E agora não se esparzem mais.

Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso.
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível;
E eu exclamei então: "Um Deus sensível
Manda repouso à dor que te devora
Destas saudades imortais.
Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora."
E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
Onde reside o mal eterno,
Ou simplesmente náufrago escapado
Venhas do temporal que te há lançado
Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: "Existe acaso um bálsamo no mundo?
"E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
Por esse céu que além se estende,
Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
No Éden celeste a virgem que ela chora
Nestes retiros sepulcrais.
Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!"
E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Ave ou demônio que negrejas!
Profeta, ou o que quer que sejas!
Cessa, ai, cessa!, clamei, levantando-me, cessa!
Regressa ao temporal, regressa
À tua noite, deixa-me comigo.
Vai-te, não fica no meu casto abrigo
Pluma que lembre essa mentira tua,
Tira-me ao peito essas fatais
Garras que abrindo vão a minha dor já crua."
E o Corvo disse: "Nunca mais."

E o Corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!
Allan Poe
(Tradução de Machado de Assis)

Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe nasceu em Boston, no dia 19 de Janeiro de 1809. Seu avô David Poe participou da Guerra da Independência, e seu pai (também chamado David Poe) apaixonou-se pela atriz inglesa Elisabeth Arnold, casando-se com ela. Edgar Allan Poe teve dois irmãos e seus pais faleceram pouco tempo depois do nascimento de Rosalie, a filha mais nova do casal. Porém, não ficaram desamparados e foram adotados pelo rico casal John Allan e Frances Keeling Allan.

Poe estudou em Londres na Stoke-Newington; algum tempo depois continuou seus estudos de volta a Richmond, na Universidade Charlotteville. Allan Poe, apesar de muito inteligente era também muito genioso, e isto lhe valeu a expulsão desta universidade.

Edgar Allan Poe era um jovem aventureiro, romântico, orgulhoso e idealista. Continuou seus estudos em Virgínia, mas também foi expulso por não se enquadrar nos padrões comportamentais daquela época. Na verdade, Allan Poe era um boêmio que vivia no luxo, se entregando à bebida, ao jogo e às mulheres. Mais tarde, foi para a Grécia e ingressou no exército lutando contra os turcos.

Porém, suas ambições militares não vingaram, e perdeu-se nos Balcans chegando até a Rússia, sendo repatriado pelo cônsul americano. De volta a América, descobre que sua mãe adotiva havia falecido.

Logo após, alista-se num Batalhão de artilharia e matricula-se na Academia Militar de West Point. Mas com o lançamento de uma compilação de poesias em 1831, desliga-se da Academia e corta relações com seu pai adotivo, devido ao casamento com outra mulher, o que teria deixado Poe muito contrariado.

Aos 22 anos, vivendo na miséria, publica Poemas. Já em Baltimore procura pelo irmão Willian e assiste a morte dele. Allan Poe passa a viver com uma tia muito pobre e viúva com duas filhas. Durante dois anos vive em miséria profunda. Mas vence dois concursos de poesias e o editor Thomaz White entrega-lhe a direção do "Southern Literary Messenger".

Em 1833 lança Uma aventura sem paralelo de um certo Hans Pfaal. Dirige a revista por dois anos. Allan Poe gozava de uma certa reputação com leitores assíduos. Depois de sua vida estabilizada, aos 27 anos casa-se com sua prima de 13 anos, Virgínia Clemn. No ano de 1838 trabalha na Button’s Gentleman Magazine na companhia de sua esposa. O casal vivera na Filadélfia, Nova York e Fordham. Em 1847, sofre com a morte de sua esposa vitimada pela tuberculose.

Em 1849, Allan Poe lança O Corvo. Eureka e Romance Cosmogônico lhe atribuem a fama necessária para provocar a censura da imprensa e da sociedade. Desiludido, volta para Richmore e depois vai para Nova York e entrega-se à bebida. Antes de seguir para a Filadélfia, resolve encontrar-se com velhos amigos. Na manhã seguinte, Poe é encontrado por um amigo em estado de profundo desespero, largado numa taberna sórdida, de onde o transportaram imediatamente para um hospital. Estava inconsciente e moribundo. Ali permaneceu, delirando e chamando repetidamente por um misterioso "Reynolds", até morrer, na manhã do domingo seguinte, aos 39 anos e deixando uma vasta obra em sua vida de sacrifícios e desordem. Era 7 de outubro de 1849, e os Estados Unidos perdiam um de seus maiores escritores. Até hoje não se sabe ao certo o que tenha acontecido naquela noite. Teria o autor, sido vítima da loucura que em tantos contos narrou? Muitos afirmam que tenha sido vítima de uma quadrilha que o envenenou, mas o mais certo é que tenha tido uma overdose de ópio.